terça-feira, 7 de março de 2017

Que é o Matrimônio segundo a vontade divina?


Deus criou, pois, o matrimônio.
Mas por que? Que ideia fazia Ele da essência do matrimônio?

A) Perguntemos a nós mesmos: Que é o matrimônio conforme a vontade de Deus? É um contrato? É. Mas é outra coisa ainda.
a - Por ocasião de seu casamento, os esposos passam realmente um contrato: prometem mútua fidelidade, assistência recíproca, auxílio na desgraça, fazem esta promessa sob uma forma solene. O casamento é, pois, também um contrato.
Quem não vê, porém, que é alguma coisa a mais? É a fusão misteriosa de duas almas, o encontro decisivo, e a união de duas vidas humanas. A humanidade já o pressentia mesmo antes do cristianismo, e eis por que vemos que entre os povos pagãos já o casamento era colocado entre as cerimônias religiosas, as mais solenes e variadas.
b - Tem-se o hábito de dizer que para o casamento há necessidade de dois: de um homem e de uma mulher. É um grande erro! Há necessidade de três: de um homem, de uma mulher e de mais um ainda - Deus. De fato Deus deve ter aí o primeiro lugar. Ele instituiu o casamento; é pois somente com Deus e em Deus que se pode contratá-lo.
E não sendo o casamento um contrato puramente humano, e nem uma invenção humana, por isso mesmo a sua própria essência escapa à autoridade dos homens.
O gênero de existência, de civilização, de forma política, em que ele vive, depende do homem. O casamento, porém, e a família não dependem do homem.

B) Que é, então, o casamento? pergunto novamente. Talvez um negócio particular entre duas pessoas?
É-o, efetivamente, e mais alguma coisa ainda: é de ordem pública também, e é um negócio de interesse geral.
O casamento não é, pois, uma colocação para as jovens, que não poderiam sair-se bem de outra maneira? Certamente não. É o casamento uma troca de amabilidades e de cumprimentos? Um instrumento de prazeres particulares? Realmente não. É um negócio de ordem pública, extremamente importante. E será mais fácil de se reconhecer, no labirinto inextrincável das questões matrimoniais, se se teve continuamente presente no espírito que o casamento não é só um negócio particular, mas também de interesse público; particular, enquanto sou livre  de escolher, contrato matrimônio com quem quero. Mas uma vez realizado o casamento, então a sorte da humanidade inteira lhe esta unida; tornou-o, pois, de ordem pública: não depende mais de mim rompê-lo.

sexta-feira, 3 de março de 2017

A Igreja Católica e A Outra

Dom Lourenço Fleichman OSB

Basílica de São Pedro

A leitura do debate em torno das Cartas do Concílio, do Padre Berto, teólogo de Mons. Marcel Lefebvre no Concílio, publicado na revista dos dominicanos franceses Le Sel de la Terre nº 45 mostrou-me, ainda uma vez o quanto a crise atual joga as almas em todas as direções no meio desta névoa espessa que cobre a Igreja.[1]
Parece evidente que, quarenta anos após o Concílio, é necessário trabalhar mais a fundo a questão da natureza exata da crise modernista, sua essência, a base teológica explicativa de tal situação, sem esquecer os apoios nas Sagradas Escrituras e nos Padres da Igreja, também importantes. Assim, como conseqüência desta análise, devemos procurar estabelecer de modo mais sólido, até que medida um católico é obrigado a seguir a Roma modernista, seus textos, seus ritos, seus acordos.
Devemos estar sempre disponíveis para fazer acordos, sempre de boa vontade e acolhedores para os textos do Papa ou dos cardeais, para em seguida criticá-los ou, ao contrário, devemos nos afastar de verdade das autoridades romanas e levar nossa crítica ao conjunto de textos da Roma conciliar, mesmo reconhecendo, aqui ou ali, algumas frases mais tradicionais? A questão não é nova. A novidade está nas circunstâncias atuais, quarenta anos depois do concílio e quinze depois das sagrações episcopais de 1988.
É um fato que cada vez que nos aproximamos dessa espécie de máquina, de mecânica que se estabeleceu nas congregações romanas, voltamos machucados, deixando presos nas rodas padres amigos, fiéis engolidos nos meandros da nova religião; um pedaço de nossas vidas.
Em 1988 foram os padres que partiram para a Fraternidade S. Pedro, Dom Gérard etc. Em 2001, os padres de Campos.

Por outro lado, esta recusa de se examinar com boa vontade os textos ou propostas vindas de Roma não seria um constante perigo de se cair no sede-vacantismo? Eis o impasse onde podemos entrar se nossas considerações sobre a crise da Igreja seguirem o caminho das opiniões pessoais mais do que a busca da verdade. Porém, a crise atual é de tal sorte que temos necessidade de uma sabedoria toda sobrenatural: “É aqui que é preciso um espírito dotado de sabedoria”[2]nos diz São João no seu Apocalipse, nos capítulos 17 e 18 que tratam desta “Babilônia”, a cidade das sete colinas, fornicando furiosamente com todos os reis da terra, que carrega em si o seu nome: Mistério. Esta prostituta montada na besta, que fez o apóstolo ficar “em extremo admirado”. Apenas os dados da teologia da Igreja não são suficientes.
Devemos constatar que todos os que partiram com os acordos com o Vaticano, bem longe de continuar o mesmo combate de antes, como todos proclamaram em alta voz que fariam, foram contaminados profundamente pelo espírito do Vaticano II. E eu pergunto: - de onde vem esta unanimidade? Porque razão todos passam a aceitar até mesmo a missa nova que sempre foi considerada como o principal mal de Vaticano II?

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Dom Fellay em Roma

Dom Lourenço Fleichman OSB
 
Como tenho ficado cada dia mais enojado com esses blogues e blogueiros, jornalismo de superfície e arrogância das profundezas, não tenho tido muito ânimo para escrever. Porém, a falsa polêmica levantada pela imprudência de alguns e pela imbecilidade de outros, relativa à ida de Dom Bernard Fellay e seus assistentes à Congregação para a Doutrina da Fé, me obriga a falar. Além do mais, muitos fiéis das nossas Capelas tiveram contato com textos assombrosos e atitudes curiosas e criaram em suas almas certas apreensões que me parecem ilusórias e descabidas. "Será que a Fraternidade S. Pio X vai fazer um acordo com Roma?", perguntam-se.
  
Enquanto alguns alimentam seus sites com essas falsas polêmicas que rendem certo nome entre os internautas, na medida em que as estatísticas de seus blogues et facebooks vão crescendo, outros vão se assustando e perdem mesmo a visão sobrenatural sobre os acontecimentos. E me espanto eu, com tanto desperdício de tempo e com tantas armas dadas ao demônio.
 
No meu modo de ver, teria sido melhor que nossos companheiros de combate não tivessem jogado no ventilador essas questões, em geral levantadas por padres saídos da Fraternidade e que passam seu tempo imaginando como vão criticá-la no dia seguinte. Só atrapalhou. Explico porque através de uma metáfora:
 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

A Renovação Carismática Católica


Pe. Scott Gardner, FSSPX

Fruto do Concílio Vaticano II, Semente de Destruição.

Introdução:
  Batizados no "Espírito"
            "Batizado no Espírito", "Oração em Línguas", "O Dom da Profecia", e um "Relacionamento Pessoal com Jesus Cristo" são todas expressões muito em voga e indispensáveis no vocabulário da assim chamada "Renovação Carismática Católica" (RCC) , um movimento cujas origens se deve a um retiro sem nenhum acompanhamento realizado em 1967 por alguns estudantes da Universidade de Duquesne em Pittsburg (USA) . Por volta de 1990, o movimento já contava com cerca de 72 milhões de seguidores no mundo inteiro e organizações oficiais em mais de 120 países.
            Um crescimento tão rápido aqui e no exterior, juntamente com o quase completo abandono de práticas e crenças genuinamente católicas, bem como modo de se expressar, tem sido motivo de preocupação para os Católicos já por um bom espaço de tempo. À luz  do trigésimo aniversário da RCC ocorrido no ano de 1997, uma análise mais profunda  de suas práticas, crenças e idéias vem bem a calhar.

sábado, 3 de dezembro de 2016

Consagração ao Imaculado Coração de Maria (Primeiro sábado do mês)


Rainha do Santíssimo Rosário, auxílio dos cristãos, refúgio do gênero humano, Vitoriosa de todas as batalhas de Deus, eis-nos prostrados suplicantes, aos pés de Vosso trono, na certeza de obter de Vossa misericórdia as raças e a ajuda oportunas nas nas calamidades presentes, não em virtude de nossos méritos, que são poucos mas, unicamente pela imensa bondade do vosso Coração maternal.

Os abomináveis pecados do mundo, as perseguições dirigidas contra a Igreja de Jesus Cristo, mais ainda, a apostasia das nações e de tantas almas cristãs, em suma, os esquecimentos por parte da maioria dos homens de que sois a Mãe da Divina Graça, tudo isso é agonia para Vosso Coração Doloroso e Imaculado, tão unido, em sua compaixão, aos sofrimentos do Sagrado Coração de Vosso Filho. 

A fim de reparar tantos crimes, pedistes o estabelecimento da devoção reparadora à Vosso Imaculado Coração. Mas se atraís docemente ao Vosso Coração os homens pecadores, é para conduzi-los ao Sagrado Coração de Jesus, ao Cristo-Rei. Jesus é a vida de que viveis. Tudo recebestes Dele e para Ele. Vosso Coração é como uma Eucaristia transparente; aquele que o contempla vê Jesus, seu Salvador. Foi para conduzir os homens ao coração de Vosso Filho que aparecestes em Fátima. 
Dignai-Vos, pois, aceitar, ó Mãe de Deus, o ato solene de reparação que oferecemos ao Vosso Coração Imaculado, por tantas ofensas que, juntamente com o Sagrado Coração de Jesus, é afligido pelos pecadores e ímpios.
Dignai-Vos ó Rainha da Paz, outorgar ao mundo a paz que o mundo não pode dar, a paz das armas e a paz das almas, a paz de Cristo e o reino de Cristo pelo Reinado do Vosso Imaculado Coração.


Amém!

Oração pelo Brasil


Senhor Jesus Cristo, Redentor de todos os homens e rei das nações. Com profunda gratidão reconhecemos a providência singular com que, desde o princípio, tomastes posse da nossa terra, arvorando nela o símbolo do Vosso reino, a Santa Cruz e quisestes que o nosso povo formasse parte distinta da Santa Igreja.

Ó Filho de Deus, Vós sois o Soberano desta nação e o Senhor dos nossos corações. A quem consagrar Fé inabalável e amor ardente, senão a Vós?
Mas pecamos, cometemos iniquidade e obramos injustamente! Assim confessamos com o povo de Israel arrependido: "Senhor, não nos trateis segundo os nossos pecados e não nos pagueis segundo as nossas maldades!"

Tende piedade dum povo que ainda é Vosso; conservai -lhe o dom da Fé Católica, apostólica, romana; defendei-o contra os erros da heresia e impiedade; atraí, com o poder do Vosso amantíssimo Coração, as almas de todos os filhos do Brasil, que remistes com o precioso Sangue. 

Pelo poder da Santa Cruz, livrai o Brasil de todos os seus inimigos! Pela religião da Santa Cruz, reinai sobre este povo, e fazei-o crente, virtuoso, grande e feliz! Virgem Imaculada Maria, poderosa Mãe de Deus, Padroeira do Brasil, intercedei por Vosso povo! São Francisco de Bórgia, São Pedro de Alcântara, padroeiros do Brasil, rogai por este povo! Intercedei por nós, ó quarenta Mártires invictíssimos , que conduzidos pelo bem aventurado Inácio de Azevedo, com o próprio sangue consagrastes a nação inteira e a dedicastes a Deus.

Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai.


(Sursum Corda, Manual de devoção da Donzela Cristã no colégio e no lar, compilado pelas irmãs 
Franciscanas, 1946)