quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Qualidade da donzela - A bondade

Qualidade da donzela


A bondade

a) Sua natureza

Ei-la explicada por dois grandes corações:

"A bondade, diz Lacordaire, é essa virtude que não consulta o interesse, que não espera pela ordem do dever, que não precisa ser solicitada, mas que se curva tanto mais para um objeto quanto mais pobre, mais miserável e mais abandonado ele é. Na bondade, além do dom de si mesmo, há uma maneira de se dar, um encanto que disfarça o benefício, uma transparência que permite ver o coração e amá-lo, um não sei que de simples, de doce, de amável, que atrai o homem todo e que ao próprio espetáculo do gênio prefere o espetáculo da bondade. A bondade é o que mais se assemelha a Deus e o que mais desarma os homens."

"A bondade, diz o Padre Faber, é o transbordamento de si nos outros; pode-se ser caridoso, compassivo, dedicado, sem ter esse perfume de amabilidade e de delicadeza que constitui a bondade."

É tão belo ser bom! O simples termo já é uma alegria, uma luz. Isso repousa, acalma a alma e lança o coração na alegria e no devotamento.

A bondade é um bálsamo que cura e um perfume que deleita. É a virtude sorridente e suave, que se exala da alma e atrai para ela. É tão bom saber que a gente pode aproximar-se de alguém sem receio, e, ao contrário, seria tão duro ter de se perguntar como se abeirar dele!

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

XVI - O Coração de Jesus




Todas as almas cristãs o conhecem... ao menos de nome;  mas quantas o conhecem como ele é em si-mesmo? Se fosse bem conhecido, seria mais vivo e potente, e desapareceriam de vez certos receios que, de cristãos, só teem uma leve aparência.

Jesus, ao apresentá-lo à Beata Margarida, disse estas palavras: -"Eis o Coração que tanto amou os homens." Palavras que deviam ser recordadas por todos, quando se lê o Evangelho, quando se meditam os novíssimos, quando se teme a justiça divina, sempre e em toda a parte.

Portanto, se por desgraça uma alma caiu numa culpa grave, não tarde em recorrer ao tribunal da penitência, mas pensando sempre naquele Coração, que tanto ama os homens.

Se uma alma vive aterrada com a ideia de apresentar-se ao tribunal divino e quase desespera de ter uma sentença de misericórdia, pense que Cristo Juiz tem um Coração, que ama tanto os homens...

Se te assalta o temor de ter uma morte imprevista, pensa que o Coração de Jesus ama tanto os homens.

Se te veem a memória as ingratidões com que ultrajaste a bondade divina, recorda também que o Coração de Jesus ama tanto os homens.

Se nos assalta a desconfiança na misericórdia de Deus e na sua graça, e a conversão e perseverança no bem nos parece impossível, lembremo-nos que o Coração de Jesus ama tanto os homens.

Se . . . mas basta. A devoção ao Coração de Jesus não deve consistir somente em recitar coroinhas em sua honra, mas também e sobretudo em crer no seu infinito amor pelos homens. Oh! se a alma cristã se dispusesse todos os dias a meditar, durante meia hora, esta verdade: - o Coração de Jesus ama-me tanto- como desapareceriam certos receios absurdos e enervantes...quantos e novos arrebatamentos não os substituiriam... como se caminharia pela estrada da virtude a passos de gigante!


quarta-feira, 30 de agosto de 2017

XXXI - A Santidade



(Assunto de adoração) 






Adoração- Encontro-me neste  momento em presença do Senhor Deus dos anjos, da  própria santidade. Que honra para o meu nada!... Jesus, a santidade e eu a miséria e a culpa? Contudo, não me fulmina com o seu rigor; antes, tolera-me com a sua misericórdia, chama-me com o seu amor, para que me resolva finalmente  a adorar o que até agora desprezei. A santidade! Que bela coisa!

Quantas vezes a tenho admirado nos outros, quantas vezes a tenho desejado para mim! Pois bem, esta santidade está aqui diante de mim naquela Hóstia ...e é mesmo dali que ela brota para difundir-se pelo mundo e operar prodígios de virtude.

Ali está a humildade,  está a paciência,  a castidade, o sacrifício , a caridade ... Às vezes leio na vida dos Santos e fico edificada... oh! se eu soubesse ler na Hóstia... Desejo muitas vezes ir para o paraíso para ver certos santos... mas que paraíso não seria o meu se pudesse ver a santidade oculta, mas presente, na Hóstia. Se um, um só dos Santos do Paraíso descesse à terra, me passasse de perto, e se firmasse um só minuto diante de mim, eu me inclinaria com a fronte por terra para venerá-lo... mas, aquela Hóstia o que é? Não é a santidade por essência?

Ó Jesus, eu sinto a necessidade angélica de adorar-te. . . e adoro-te. Oh! pudesse eu cancelar da minha alma a vergonha de haver quase adorado as criaturas! Pudesse cancelá-la, adorando durante a vida inteira a tua Hóstia, ó Jesus! Pudesse eu chamar e recolher em volta de mim as humanas gerações e fazê-las cantar e glorificar a tua santidade! Pudesse eu quebrar todos os ídolos da terra, e com os seus destroços edificar um templo às virtudes da Hóstia Eucarística!

domingo, 6 de agosto de 2017

Do amor que devemos ter a Jesus



O Servo - Ó Mãe Santissima de Deus, quando vivestes com Jesus em Nazaré, não o conheciam os homens, senão que O desprezavam e abandonavam. Uma consolação tinha Jesus, entretanto. Era a consolação de ser sinceramente, ardente e constantemente amado por sua Mãe. 

Por isso que conhecieis sua divindade e perfeições infinitas, Vós o amaveis acima dos Anjos e dos Santos, como jamais o amaram estes nem o amarão jamais. 

Tinha o vosso amor algo de muito mais excelente que o amor comum das mães. Nele o que vós amaveis era um filho, mas filho-Deus e Homem ao mesmo tempo. 

Daí esse imenso desejo de verdes amado por todas as criaturas racionais o Vosso Jesus, tanto quanto o amastes. 

Próprio a um amor puro é o procurar comunicar-se e desejar que todas as suas chamas incendeiem a todos corações. Era mister conhecerem Jesus, qual Vós o conhecieis, afim de o amarem com um amor tão perfeito como o vosso. Para falar dignamente desse amor, fora mister alguém ler em vosso coração o que sentieis por aquele que era o seu único objeto.

Abri-nos, portanto, Vós mesma, esse coração, ó Mãe! Dizei-nos do vosso Perfeito Amor! Desvendai-nos toda a pureza dele, a sua ternura, a sua vivacidade, e generosidade, enfim, dos sentimentos que animavam o vosso amor a Deus!



quinta-feira, 25 de maio de 2017

terça-feira, 7 de março de 2017

Que é o Matrimônio segundo a vontade divina?


Deus criou, pois, o matrimônio.
Mas por que? Que ideia fazia Ele da essência do matrimônio?

A) Perguntemos a nós mesmos: Que é o matrimônio conforme a vontade de Deus? É um contrato? É. Mas é outra coisa ainda.
a - Por ocasião de seu casamento, os esposos passam realmente um contrato: prometem mútua fidelidade, assistência recíproca, auxílio na desgraça, fazem esta promessa sob uma forma solene. O casamento é, pois, também um contrato.
Quem não vê, porém, que é alguma coisa a mais? É a fusão misteriosa de duas almas, o encontro decisivo, e a união de duas vidas humanas. A humanidade já o pressentia mesmo antes do cristianismo, e eis por que vemos que entre os povos pagãos já o casamento era colocado entre as cerimônias religiosas, as mais solenes e variadas.
b - Tem-se o hábito de dizer que para o casamento há necessidade de dois: de um homem e de uma mulher. É um grande erro! Há necessidade de três: de um homem, de uma mulher e de mais um ainda - Deus. De fato Deus deve ter aí o primeiro lugar. Ele instituiu o casamento; é pois somente com Deus e em Deus que se pode contratá-lo.
E não sendo o casamento um contrato puramente humano, e nem uma invenção humana, por isso mesmo a sua própria essência escapa à autoridade dos homens.
O gênero de existência, de civilização, de forma política, em que ele vive, depende do homem. O casamento, porém, e a família não dependem do homem.

B) Que é, então, o casamento? pergunto novamente. Talvez um negócio particular entre duas pessoas?
É-o, efetivamente, e mais alguma coisa ainda: é de ordem pública também, e é um negócio de interesse geral.
O casamento não é, pois, uma colocação para as jovens, que não poderiam sair-se bem de outra maneira? Certamente não. É o casamento uma troca de amabilidades e de cumprimentos? Um instrumento de prazeres particulares? Realmente não. É um negócio de ordem pública, extremamente importante. E será mais fácil de se reconhecer, no labirinto inextrincável das questões matrimoniais, se se teve continuamente presente no espírito que o casamento não é só um negócio particular, mas também de interesse público; particular, enquanto sou livre  de escolher, contrato matrimônio com quem quero. Mas uma vez realizado o casamento, então a sorte da humanidade inteira lhe esta unida; tornou-o, pois, de ordem pública: não depende mais de mim rompê-lo.

sexta-feira, 3 de março de 2017

A Igreja Católica e A Outra

Dom Lourenço Fleichman OSB

Basílica de São Pedro

A leitura do debate em torno das Cartas do Concílio, do Padre Berto, teólogo de Mons. Marcel Lefebvre no Concílio, publicado na revista dos dominicanos franceses Le Sel de la Terre nº 45 mostrou-me, ainda uma vez o quanto a crise atual joga as almas em todas as direções no meio desta névoa espessa que cobre a Igreja.[1]
Parece evidente que, quarenta anos após o Concílio, é necessário trabalhar mais a fundo a questão da natureza exata da crise modernista, sua essência, a base teológica explicativa de tal situação, sem esquecer os apoios nas Sagradas Escrituras e nos Padres da Igreja, também importantes. Assim, como conseqüência desta análise, devemos procurar estabelecer de modo mais sólido, até que medida um católico é obrigado a seguir a Roma modernista, seus textos, seus ritos, seus acordos.
Devemos estar sempre disponíveis para fazer acordos, sempre de boa vontade e acolhedores para os textos do Papa ou dos cardeais, para em seguida criticá-los ou, ao contrário, devemos nos afastar de verdade das autoridades romanas e levar nossa crítica ao conjunto de textos da Roma conciliar, mesmo reconhecendo, aqui ou ali, algumas frases mais tradicionais? A questão não é nova. A novidade está nas circunstâncias atuais, quarenta anos depois do concílio e quinze depois das sagrações episcopais de 1988.
É um fato que cada vez que nos aproximamos dessa espécie de máquina, de mecânica que se estabeleceu nas congregações romanas, voltamos machucados, deixando presos nas rodas padres amigos, fiéis engolidos nos meandros da nova religião; um pedaço de nossas vidas.
Em 1988 foram os padres que partiram para a Fraternidade S. Pedro, Dom Gérard etc. Em 2001, os padres de Campos.

Por outro lado, esta recusa de se examinar com boa vontade os textos ou propostas vindas de Roma não seria um constante perigo de se cair no sede-vacantismo? Eis o impasse onde podemos entrar se nossas considerações sobre a crise da Igreja seguirem o caminho das opiniões pessoais mais do que a busca da verdade. Porém, a crise atual é de tal sorte que temos necessidade de uma sabedoria toda sobrenatural: “É aqui que é preciso um espírito dotado de sabedoria”[2]nos diz São João no seu Apocalipse, nos capítulos 17 e 18 que tratam desta “Babilônia”, a cidade das sete colinas, fornicando furiosamente com todos os reis da terra, que carrega em si o seu nome: Mistério. Esta prostituta montada na besta, que fez o apóstolo ficar “em extremo admirado”. Apenas os dados da teologia da Igreja não são suficientes.
Devemos constatar que todos os que partiram com os acordos com o Vaticano, bem longe de continuar o mesmo combate de antes, como todos proclamaram em alta voz que fariam, foram contaminados profundamente pelo espírito do Vaticano II. E eu pergunto: - de onde vem esta unanimidade? Porque razão todos passam a aceitar até mesmo a missa nova que sempre foi considerada como o principal mal de Vaticano II?